Assisti noutro dia a um filme que conta a história de seres que habitavam, tempos atrás, a escuridão. Eram débeis criaturas que, apesar de débeis, alimentaram durante muito tempo um projeto ambicioso: tomar posse de uma das maiores nações do planeta e escravizar o seu povo. Continue lendo “DOS PORÕES DO INFERNO”
DO BOI PARA O PORCO EM SEGUNDOS
Pedi no mercado um quilo de contra-filé. Espantado, ouvi do atendente a revelação que o simpático freguês sempre teme ouvir. O rapaz, sorriso na cara, gentilmente avisou-me do preço, gesto um tanto incomum, tendo em vista o costume de se pesar a carne, retirar da balança a etiqueta, colocá-la na embalagem e concluir com o clássico “mais alguma coisa?”. Continue lendo “DO BOI PARA O PORCO EM SEGUNDOS”
CACIQUE DEPOSTO, POVO INFELIZ
Depuseram o cacique e a nação indígena ficou órfã. Ele se foi, ao que tudo indica, para não morrer. Mas de longe assiste ao caos instaurado no seu país e não se conforma com a truculência das pessoas que tomaram o poder. Gaba-se, a deusa que se apoderou da cadeira de chefe, de ter sangue nórdico, ariano e de não ser índia como a maioria do povo daquele país. Falou como se fosse um desprestígio ser gente da terra, ter cheiro de campo e de trabalho. Ouvindo, inclusive, o seu discurso, tem-se logo a impressão de que está em lugar errado, que a Noruega talvez fosse destino melhor para tão seleta criatura. Continue lendo “CACIQUE DEPOSTO, POVO INFELIZ”
AMIZADE É ISSO
Num momento crucial da história deste planeta absurdamente arredondado, em que se destila ódio e rancor de polo a polo, de repente nos vemos frente a frente com um gesto ímpar de amizade. Atitude que, por vezes, surge só para lembrar que ainda há esperança, que nem tudo está perdido. E é justamente quando estamos imersos até o pescoço nesse mar de desespero, prestes mesmo a entregar os pontos, é que somos surpreendidos pela atitude de alguém que nos bota a nocaute com a beleza de uma iniciativa que surge, assim, de esgueira, como quem não quer nada, sorrateira, a nos pegar de jeito. Continue lendo “AMIZADE É ISSO”
VELHO NÃO SENHOR!
A tarde era de sol e a luz cumpria bem o seu papel de realçar os matizes da Serra de Petrópolis. O trânsito estava calmo naquele dia, situação nada corriqueira ali, devo confessar. Só quem percorre aquele trajeto com alguma frequência, sabe do que eu falo. Continue lendo “VELHO NÃO SENHOR!”
O PETRÓLEO É NOSSO
O óleo tingiu de preto o verde do mar, e de vermelho os olhos que testemunharam, incrédulos, o desastre. Continue lendo “O PETRÓLEO É NOSSO”
NOS PALCOS DA VIDA
Ando meio cansado desse negócio de me apropriar de cenas um tanto pitorescas do campo governamental daqui. Tenho de admitir, contudo, que têm me servido de inspiração os episódios normalmente grotescos do cenário político deste imenso circo. E, verdade seja dita, é assunto que ultimamente mais material fornece para boas crônicas. Como numa peça teatral, sugere textos dramáticos, trágicos e até saborosas comédias. Como num filme, o suspense e o terror inspiram ótimos relatos que prendem a atenção e a respiração. Pronto. Não tem jeito. É só navegar pelas notícias diárias e escolher. Aliás, é preciso, antes de tudo, colher cada fruto maduro e, depois, acolher a ideia fresquinha que dele vier. E então, com muito esmero, botar para trabalhar a pena digital, sempre afoita, em busca das palavras que melhor retratem a coisa em si. Continue lendo “NOS PALCOS DA VIDA”
ENCRUZILHADAS VIRTUAIS
Em tempos modernos o nosso bom e velho idioma tupinambá ganhou palavras que, tudo indica, vieram para ficar. E este fenômeno começou a aumentar quando do avanço da informática por este vastíssimo território de vastíssimos contrastes. Continue lendo “ENCRUZILHADAS VIRTUAIS”
TUDO VAI MUITO BEM
Tudo vai muito bem sim, considerando a economia forte que toca esta amada e idolatrada pátria Tupinambá. Economia que segue a todo vapor, singrando no mar do crescimento e da prosperidade. Economia robusta que leva a nação ao pleno emprego. E, caso não se lembre, amigo, é justamente o que quase perdemos de vez quando o governo de pensamento vil e retrógrado habitou o planalto e governou para si e para os seus, levando à beira do abismo este gigantesco terreiro. Continue lendo “TUDO VAI MUITO BEM”
TUDO PODE NO DISTANTE REINO DO Ó
O nome do ministro anda mesmo na berlinda. Talvez ele não tenha imaginado, do alto de sua soberba, viver, um dia, uma situação de achincalhamento feroz como vive agora. Corre para lá e para cá feito bicho assustado, tentando explicar-se diante dos questionamentos que lhe são postos à mesa. E, a cada palavra sua, a confissão dos pecados se nos afigura clara como a luz deste dia em que o sol nos brinda a existência com a sua presença. Continue lendo “TUDO PODE NO DISTANTE REINO DO Ó”