VIOLÊNCIA NOSSA

Violência é, digamos, a prática que o ser humano começou a desenvolver lá nos primórdios de sua existência e que, sem dúvida, é a sua maior especialidade hoje, tendo em vista que vem aperfeiçoando, através dos tempos, os métodos que utiliza para agredir o semelhante, os bichos, a natureza, os costumes, os valores… É, portanto, o inventor da agressão à revelia, de graça. E se orgulha disso. Continue lendo “VIOLÊNCIA NOSSA”

E NOVAMENTE É VERÃO

Novamente é verão e o sol deixa repletos de vigor os corações que, até outro dia, andavam enfastiados com o mal tempo da desesperança. É fim de ano, época boa em que as pessoas celebram uma nova etapa que aqui, nestas paragens, é marcada pela presença do calor. Por mais que nos toque os ombros a ideia preconcebida do glamour que só a neve importada do hemisfério norte é capaz de produzir, é o clima quente que nos aconchega desde tenra idade, clima que no decorrer de nossas vidas torna-se o retrato das festas de encerramento de um ciclo e prenúncio de outro, aqui em solo Tupinambá. Aprendemos, por meio da imagem sub-liminar, que luvas e casacos são chiques e devem representar Natal e Ano Novo. Até algodão sempre fingiu ser neve nos pinheiros das casas tropicais de outrora. Mas é a camiseta cavada, símbolo dos nossos festejos, que acabou por inaugurar uma nova fase em que estão em moda as árvores prateadas, douradas, quentes. Continue lendo “E NOVAMENTE É VERÃO”

VIVA O FERIADO!

Parece que poucos países no mundo desfrutam de tantos feriados como o Brasil. Aos olhos de uma determinada camada da sociedade, a que dá as cartas, talvez denote exagero tanta comemoração, que por certo acaba por tirar do trabalhador o afã para o trabalho, sina para a qual fora criado, afinal de contas. Continue lendo “VIVA O FERIADO!”

LAMBANÇAS À BRASILEIRA

O ditador voltou a dizer que vai botar fogo na toca do grande urso branco, e este rosnou feroz. Pudera! Até eu, sujeito manso, nada afeito a grandes poderes, certamente que arreganharia os dentes diante de ameaça tão descabida. Em troca de quê cutuca  onça com vara curta, o soberano da península? Se bem que, verdade seja dita: rosnar é a especialidade do urso, já que não perde a oportunidade de se manifestar pelas redes sociais, modernidade que lhe permite abordar qualquer assunto que possa causar uma polemicazinha, e espalhar para o mundo em tempo real. Ameaçado ou não, é de fato o seu passatempo predileto vociferar. Até porque, é ferramenta que funciona também para manobras políticas, nas quais é perito. Desconfia-se até de que tenha se diplomado aqui, neste vasto circo verde-amarelo.

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O QUE SE FALA SOBRE O AMOR

 

Dia destes, numa roda de amigos, o papo desencontrado de sempre, repentinamente, convergiu para a agitada alameda do amor. Assunto que sempre desperta o interesse, já que os ânimos ficam acirrados quando as opiniões partem de gente que há muito perambula por este mundo e que durante quase todo esse tempo vem desfrutando da companhia de alguém que conhecera lá nos primórdios da juventude. E foi justamente aí, nesse frenesi de conversas altas e atropeladas, que ocorreu-me indagar sobre as paixões de cada um. Só para apimentar os ímpetos. Não demorou, então, para que um deles dissesse que escolhera bem profissão, especialidade e o amor com quem haveria de passar o resto da vida. Logicamente que não perdi tempo em chacoteá-lo no quesito casamento, uma vez que é constante o anseio do gênero masculino em fazer troça de alguém que se gaba de ter entregue a vida ao aconchego familiar, normalmente consagrado pelos sagrados laços do matrimônio. Mesmo assim, irresoluto, meu amigo de pouca data, mas de grande apreço, ratificou sua determinação de sempre adubar sua relação para que continue assim, cheia de alegria e prazer por ter ao seu lado a mulher amada.

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COTIDIANO NEBULOSO

Tenho lido crônicas ultimamente. Aliás, desde que iniciei essa minha inebriante atividade de leitor, acho que me apeguei de verdade ao seu jeito, à sua cara. Desconfio até que se pareça um pouco comigo. E tempo considerável se passou desde que nos conhecemos, eu e ela. Foram décadas percorrendo as estradas que as suas palavras abriram. Continue lendo “COTIDIANO NEBULOSO”

BANALIZOU-SE O TERROR

E novamente o homem levanta a mão para ferir de morte o semelhante. Consegue, com isso, atingir o coração empático do resto do mundo que se apavora diante da nítida impressão de estar mergulhando de cabeça no enigmático final dos tempos, como apregoam algumas religiões. Logicamente que se isso acontecer, não sobrará gente para pensar no terror e preencher de medo o peito cansado. Nada restará, então, ao ser, cujo anseio maior se resume em promover a morte por atacado, senão o consolo da bala que lhe sobrou na câmara e que aguarda, sôfrega, o momento de ser conduzida à sua própria cabeça, pelo seu próprio dedo. Continue lendo “BANALIZOU-SE O TERROR”

BATALHA NOSSA DE CADA DIA

Minha amiga é professora do primeiro aninho. Missão difícil essa de conduzir o aluno ao limiar de uma vida repleta de letras, números e possibilidades. Por isso, tem todo o meu respeito o profissional que se aventura a introduzir a mente ainda muito verde nesse vasto mundo em que o conhecimento a aguarda para moldá-la. É ali, afinal, que deverá crescer um dia, e esse crescimento virá pela maturidade, aquela que nunca vem por meio da passagem do tempo, mas pela inquietante busca daquilo que fará desta mente entidade única, dotada de visão capaz de enxergar um pouco além do horizonte comum. E isso a professora sabe. E provavelmente por ter atingido essa fronteira, é que persiste resoluta. Continue lendo “BATALHA NOSSA DE CADA DIA”

DESCARADA PAIXÃO PELOS EDIFÍCIOS

Gosto de edifícios. Soa, inclusive, meio estranho, até constrangedor, admitir em público este amor. Sinto mesmo queimar o rosto por sentir que traio meu grande amor pelos bichos, pelo cheiro de mato e, sobretudo, a paixão pelas árvores. Mas o que há se fazer? Todo ser humano é assim, afinal: além dos defeitos natos evidentes e descarados, ainda guarda umas esquisitices que nem o próprio dono é capaz de entender. Continue lendo “DESCARADA PAIXÃO PELOS EDIFÍCIOS”

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