E o Brasil completa duzentos anos de independência. Um número bem redondinho. Estranha, aliás, essa mania que têm as pessoas de celebrar aniversários redondos, como se os outros não tivessem a mesma importância. E, por falar em independência e números redondos, lembro-me perfeitamente do festão que o governo militar promoveu para comemorar o sesquicentenário. Lá se vão cinquenta anos, também redondos. Diga-se de passagem, eu nem deveria estar comentando aqui período tão marcante da minha vida. Mas eu vivia, naqueles dias, todo o esplendor da minha adolescência! Mesmo assim, não considero de bom tom revelar com tanto entusiasmo esta saudade: primeiro, porque o leitor atento pode fazer as contas e chegar à constatação de que este escritor há muito passou dos trinta. Depois, porque falo de um período sombrio da história desta imensa e empobrecida pátria.
Continue lendo “O QUE FOI FEITO DA INDEPENDÊNCIA?”O PÁSSARO
O pássaro belisca a fruta na árvore. É fim de tarde, e o barulho estridente da sala de aula lhe é indiferente, mesmo estando meio próximo da janela o seu galho.
Continue lendo “O PÁSSARO”E RUFAM OS TAMBORES
O bufão se apropria da mente insana para promover a festa que, segundo o seu entendimento, hasteará a bandeira da liberdade para o seu povo. Não explica, todavia, que tipo de liberdade terá para oferecer a essa gente, caso leve a cabo o seu projeto de tomada de poder na marra.
Continue lendo “E RUFAM OS TAMBORES”O EVANGELHO SEGUNDO OS FARISEUS
Antigamente, quando se ouvia um sujeito que entendia do riscado discorrer sobre o evangelho, o coração era logo preenchido com sentimento de amor ao próximo e mansidão. Isso, porque se falava de paz e justiça em um mundo governado pela felicidade que vinha desse amor.
Continue lendo “O EVANGELHO SEGUNDO OS FARISEUS”DAS ENTRANHAS DO INFERNO
Um fenômeno se abateu sobre este vasto e empobrecido rincão nos últimos anos. Falo de um tipo de personalidade… isso mesmo, algo implícito na figura humana, que ganhou voz e poder sobre as criaturas pacatas e distraídas com as quais divide este espaço e este ar. Ar, diga-se de passagem, trazido das entranhas do inferno, que, carregado de enxofre, tirou de seu sono letárgico as hordas que jaziam aqui neste plano à espera de um líder que deixasse seu reduto obscurantista para atraí-los e seguir na sua dianteira.
Continue lendo “DAS ENTRANHAS DO INFERNO”MADEIRA FÁCIL, SOBREVIVÊNCIA DIFÍCIL
No começo, assassinavam árvores para vender a sua madeira. Na sequência, vinha o aniquilamento das plantas menores que estavam no caminho das toras arrastadas. Quanto aos animais que habitavam galhos e troncos, não lhes restava alternativa senão procurar nova morada.
Continue lendo “MADEIRA FÁCIL, SOBREVIVÊNCIA DIFÍCIL”CAMINHO DE PEDRAS
O homem caminha com dificuldade pelo passeio movimentado da cidade fartamente urbanizada. A tarde cheia de sol parece não lhe inspirar qualquer sentimento bom. Seu semblante de dor revela isso, afinal. Duas muletas o auxiliam na angustiante tarefa de descer o pequeno degrau que conduz a nível inferior da calçada. Terreno acidentado é empecilho ainda maior quando as pernas já não funcionam a contento, quando a idade chega e traz com ela as doenças que cerceiam o apetite pela vida.
Continue lendo “CAMINHO DE PEDRAS”MORTE POR ATACADO
A comunidade chora e contabiliza seus mortos. A aflição é senhora na vida de quem vive sob o jugo do bandido marginal e do bandido oficial, ambos com o perfil cruel de quem deixou as telas do cinema para protagonizar o terror no mundo da realidade.
Continue lendo “MORTE POR ATACADO”REFLORESTA
Tive um sonho bom, destes que raramente povoam o vasto universo dos sonhos. Nele, eu me encontrava num lugar onde antes vivera, cheia de esplendor, uma floresta imensa. No entanto, tudo ali agora era devastação e cheirava morte. Foi no tempo em que as sombras reinaram absolutas no país dos contrastes é que se deu o sinistro responsável pela aniquilação da grande mata, dos seus bichos, da gente do lugar, dos rios… E isso também mexeu com o clima de muitas regiões. Mexeu mesmo com a vida das pessoas que, distraídas, nem se deram conta dos projetos nefastos que botaram abaixo todo o verde da bandeira.
Continue lendo “REFLORESTA”VIVA A DEMOCRACIA!
É ano de eleições, e há um furor político, diga-se de passagem, um tanto comum nessa época. Os candidatos estão afoitos, em busca de apoio e grana para a campanha. Muitos até deixaram o conforto dos altos cargos no planalto central para buscarem uma vaga no congresso ou no senado. Certamente lá, naquelas casas, o sossego é ainda maior, e o salário compensador. Quem há de duvidar? Além, claro, das oportunidades de negócios com os vários poderes que cercam o poder. Tudo na calada da noite, ou do dia mesmo. Eles não se importam mais. Mesmo porque, se o político não se candidatar a presidente, uma vez eleito, poderá tocar a vida como o diabo gosta, sem aporrinhação.
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