CRÔNICA DE UTILIDADE PÚBLICA

Em época de peste, em que muitos anseiam pela sua dose de vacina, de forma surpreendente, se depara o mundo com a presença inoportuna daqueles que negam a sua necessidade, como se fossem seres superdotados, como se seu sistema imunológico estivesse pronto para combater qualquer invasor em qualquer tempo. Se assim fosse, o tormento dos países seria bem menor: bastaria um pouco de sangue desses super-homens e supermulheres para se criar um antídoto que salvasse os demais. Perfeito, embora a realidade aponte noutra direção: a morte dessa supergente, às pencas.

Continue lendo “CRÔNICA DE UTILIDADE PÚBLICA”

A ERA DA INCERTEZA

Definitivamente vivemos a era do medo. Medo da molécula e suas cópias, medo de golpe do governo, medo do desemprego, da fome, do desamparo… Medo também de um dia se perder o direito à livre expressão… Medo de se ter o confinamento como único meio de sobrevivência, ainda por muito tempo… Medo da solidão, medo da tristeza.

Continue lendo “A ERA DA INCERTEZA”

E O PENSAMENTO VOA

Talvez porque faça parte da minha estrutura genética a dádiva do pensamento, procuro exercitá-la como se exercita os músculos. Considerando, claro, que o cérebro humano tenha sido concebido, a princípio, para pensar, a despeito de outras funções, da mesma forma, essenciais. Assim, quando exercitamos a mente em busca da informação apurada, do conhecimento, estamos ampliando e fortalecendo a nossa capacidade de reagir de forma sensata aos fenômenos que nos acometem diariamente.

Continue lendo “E O PENSAMENTO VOA”

A BOCA PEQUENA COMENTA QUE…

Andam dizendo por aí que o poder executivo desta imensa república Tupinambá deixou de comprar vacinas na hora certa, e que, por isso, é o responsável pela morte por atacado que sobreveio sobre a população. Dizem ainda que centenas de milhares de vidas teriam sido poupadas caso o mesmo poder também não estimulasse a aglomeração e não fizesse mau juízo de quem faz uso da máscara, objeto considerado essencial pela ciência, por ser o único meio que impede a pessoa de inspirar ou expirar a molécula daninha. Não nos esqueçamos de que vivemos tempos pandêmicos, drama que não imaginávamos ver fora das telas um dia.

Continue lendo “A BOCA PEQUENA COMENTA QUE…”

OLHO POR OLHO (conto)

Depois de um longo dia dedicado ao nada fácil trabalho de diarista, Fátima descansava um pouco no duro assento oferecido pelo serviço público aos usuários de ônibus que aguardam, ansiosos, o retorno para casa. Estava exausta, pois, além de dar duro para ganhar a vida, estudava em curso noturno que haveria de lhe oferecer uma oportunidade melhor. Pensava nisso e observava a noite de poucos transeuntes, na rua de pouco movimento. A condução custava a chegar naquela hora, e ela estava sozinha. Ansiava pelo retorno ao lar.

Continue lendo “OLHO POR OLHO (conto)”

SOPA DE INCOERÊNCIA

Tantos são os assuntos atuais, que realmente fica difícil escolher o que apreciar nesta fria tarde de outono em que tudo leva à nostalgia e à introspecção. Muita gente, aliás, costuma dizer que no Brasil não se morre de tédio, mesmo em tempos nublados. Claro! Todos os dias o noticiário nos enche de emoção, abordando temas, os mais inusitados, envolvendo criminalidade, destruição da grande floresta, peste, política… Esta última, então, é sempre recheada de acontecimentos que nos mantêm eletrizados como se assistíssemos a uma série, sempre de olho no próximo capítulo.

Continue lendo “SOPA DE INCOERÊNCIA”

VOSSA EXCELÊNCIA O INQUÉRITO

O governo monta equipe para investigar o governo. Pensamento um tanto contraditório, admito, ainda que eu veja com otimismo o fato de um determinado segmento governista se dedicar ao nada fácil trabalho de empreender busca ferrenha pela sujeira que o executivo da nação procura desesperadamente empurrar para debaixo do tapete. Até porque, é preciso que se apure e se responsabilize os culpados pelo desastre ora em curso, que já ceifou centenas de milhares de vidas, país afora.

Continue lendo “VOSSA EXCELÊNCIA O INQUÉRITO”

O SANGUE DE TODOS NÓS

O Brasil sangra por causa da peste.

O Brasil sangra pelos olhos de cada um que presencia, inconsolado, a morte que desliza suave como um rolo compressor sobre uma população que não sabe para onde correr, e, mesmo que soubesse, não teria meios para fugir.

Há sangue no olhar daquele que vê na morte do semelhante a única alternativa para ver bem sucedidos seus planos de enriquecimento e consequente tomada do poder. Não se importa, na verdade, com o sangue que verte do corpo alheio. Se é disso que depende para sustentar seus interesses, que derrame, que esparrame pelo chão e por toda parte. Desde que o líquido precioso escorra de pessoas, cuja condição social não lhes permite se defender, que encharque o solo.

Continue lendo “O SANGUE DE TODOS NÓS”

Blog no WordPress.com.

Acima ↑