A ARTE MILENAR

É de fato pra lá de inspiradora a arte que o bicho homem tem produzido ao longo de toda a sua história, por sobre esta terra que há de lhe comer os olhos, um dia. Começou por desenhar nas paredes de casa as suas aventuras que causariam espanto no semelhante de cérebro grande. E assim fez até que lhe doessem os braços. Aprimorou, então, sua técnica e buscou superfícies mais adequadas para representar imagens. Ficou mesmo deslumbrado. Principalmente ao perceber que a língua servia também para falar, razão de sobra para aposentar de vez os grunhidos e lançar mão de comunicação mais sofisticada. Por fim, inventou de escrever, achando que trocar figurinhas só pelo gogó podia deixar no esquecimento o assunto e, por meio da escrita, este haveria de durar mais. Genial! Então, estimulado pela intimidade com a nova mania, brincou com as palavras que fez surgir juntando as letras. E tanto se empolgou que criou versinhos, maneiras jeitosinhas de mandar recado em silêncio, embora às vezes, causassem algum barulho.
Outras formas de produzir arte foram aparecendo, antes ou depois (a ordem não vem ao caso), na mente cada vez mais brilhante do ser humano. Cismou, por exemplo, de bater um cinzel numa pedra até tirar-lhe todas as sobras e verificar que se encontrava ali uma escultura. Conseguiu dar harmonia ao som e transformá-lo em música, na qual também incorporou um poema, para dar mais charme à melodia. Com o passar do tempo, inclusive, notou como era engraçado o remelexo que sentia no corpo ao ouvir certos ritmos, e como lhe produzia um movimento quase que involuntário. Aperfeiçoou-o e pronto, lá estava a dança. Magnífico! É mesmo notório o empenho dessa gente, para representar a vida e os costumes.
E, por falar em representar, há, nesse leque de cores, um tipo de manifestação artística que provavelmente anteceda as demais, que talvez tenha nascido com o homem: o teatro. É, isso mesmo! Representar é o que aprende desde tenra idade, e que pratica até o fim dos seus dias. Peças que se apresentam como comédia ou drama, dentro de uma casa de espetáculos ou fora dela. Fora, existe até um tipo que se paga para não assistir. Este que qualquer um, artista ou não, interpreta com maestria: a milenar arte de levar no bico, de convencer seu semelhante de uma realidade só sua. É a prática teatral que mentirosos espalhados pelos quatro cantos do mundo repudiam, mas da qual, vítima ou vilão, ninguém escapa.
É talento a qualquer prova, afinal, desse perspicaz espécime do reino animal, cuja inteligência aguçada acabou por presenteá-lo com um bocado de sensibilidade, tão essencial na criação de coisas belas como pintura, escultura, música, literatura e, claro, muita conversa fiada.

PROF.RODOLFO DE SOUZA

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