VIOLÊNCIA NOSSA

Violência é, digamos, a prática que o ser humano começou a desenvolver lá nos primórdios de sua existência e que, sem dúvida, é a sua maior especialidade hoje, tendo em vista que vem aperfeiçoando, através dos tempos, os métodos que utiliza para agredir o semelhante, os bichos, a natureza, os costumes, os valores… É, portanto, o inventor da agressão à revelia, de graça. E se orgulha disso.

Desde a fofoca que lança dúvida sobre a idoneidade moral do outro até o latrocínio, tudo é exemplo de violência que o próprio povo engendrou em seu seio, e sofre. Aliás, a maioria nem se dá conta dos seus atos e do tamanho do prejuízo causado pela ignorância que violenta e cerceia o bom senso.

E este imenso picadeiro, sobre o qual vivemos eu e você, tem sido um dos maiores exemplos de todo o empenho dedicado ao exercício do assunto ora em pauta. Os governantes desta terra de meu Deus passam toda uma existência se dedicando à busca incansável de meios que os levem a faturar alto, mesmo que, para isso, tenham que manter debaixo da sola de sua bota a cabecinha oca do seu conterrâneo. Objetivos espúrios são metas que perseguem impetuosos, brutalidade que também dá direito a toda essa população de cometer outros desatinos, já que se habituara a viver num país em que toda atividade criminosa é perdoada. E essa gente toda aprendeu com a cartilha carinhosamente editada por seus governantes que política é nome feio, palavrão dos brabos. Pois é, eles fizeram do termo que designa arte e ciência de bem governar, algo nefasto que deve ser evitado para que se conserve a família, a moral e os bons costumes. E não é fácil pensar diferente quando se vê a economia do seu país estuprada por décadas até que esteja exaurida de suas forças e não suporte mais as investidas do algoz.

Belas cidades deste imenso território, por exemplo, sofrem com a bandidagem que não perdoa. Pudera, estão falidos os seus governos que nada investiram no que há de essencial no seio de uma nação: o bem estar de seu povo. E, miserabilidade associada à falta de educação leva indiscutivelmente ao aumento do crime. Isso é notório.

A cidade, antes maravilhosa, está entregue ao caos. Suas divisas foram parar nos cofres de administradores corruptos que pensaram exclusivamente em acumular riqueza roubada, levando o estado à bancarrota e, perdendo para o crime a sua bela capital que virou uma praça de guerra. De um lado, polícia fraca e mal equipada, de outro, facções que disputam na bala o comando de tudo. E o povo corre e morre e se sujeita e sobrevive alimentado por uma esperança que vai minguando, aos poucos. O que fazer? Ah, mas tem o carnaval! E daí?! E tem futebol! Bolas para ele também! Não há paz. Para quê serve circo em campo de guerra?

Assim, vergonhosamente, um dos países mais ricos do mundo vai levando a vida sem conseguir sair do terreno terceiromundista, simplesmente porque está entregue nas mãos de roedores que passam todo o mandato arquitetando estratégias para o faturamento ilícito e para a manutenção do poder a qualquer preço. Definitivamente não faz parte de suas plataformas políticas um único plano de governo que vise o progresso de algum setor da nação. Nação que se arrasta com sua economia agonizante, sua saúde e sua educação dentre as piores do mundo, mas com o melhor circo que já se viu na história.

 

 

PROF.RODOLFO DE SOUZA

Um comentário em “VIOLÊNCIA NOSSA

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  1. A indiferença, a meu ver, é das piores formas de violência! O mais nefasto e macabro caso policial de Santo André (quiçá, de todo o Estado de São Paulo) continua “esquecido”. Digo do acidente de trânsito provocado pelas viaturas M-10220 e M-10290, do 10º Batalhão de Polícia Militar (Santo André), em 17/08/96. A então desprezível e muito resumida reportagem, daquele dia seguinte (Acidente com viatura em São Caetano mata mulher e fere 4) sequer mereceria publicidade, não apenas pelo incoerente título, mas, pelo seu evasivo e omisso teor, ja que o mais apropriado lhe teria sido o seguinte título, na capa: VIATURAS PROVOCAM TRAGÉDIA ENQUANTO “TIRAVAM RACHA”.

    Nada podemos criticar da outrora Cidade Maravilhosa, posto que a nossa Santo André, em termos de omissão, também não é mil maravilhas!

    O BOPM 61, de 17/08/96, continua sob o tapete de um prédio da Av. Goiás nº 2000 – São Caetano do Sul (3º Companhia do 6º BPM/M) escondendo uma das mais tenebrosas FARSAS que a imprensa “não pode” rever!

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