É dia do professor e assisto passivo à programação da TV que presta a sua justa homenagem àquele que dedica a sua vida ao extenuante ofício de ensinar. Logicamente que os teóricos, os que ainda respiram e caminham por esta vasta planície e também aqueles que do subsolo dela fizeram morada, mas ainda dão palpites, condenariam tais palavras, uma vez que, segundo eles, auxiliar o aluno na construção do seu conhecimento é o que se espera de um profissional da educação nos dias de hoje. Ensinar, transmitir o conhecimento, falar também sobre as engrenagens que movem esta sociedade, dos ventos que tocam esta vida, da experiência conquistada em décadas na estrada, além da sua própria matéria, tudo se configura inútil, bancário. Deve-se, pois, rever os métodos para adotar novas estratégias. Estratégia, termo mais utilizado na educação do que nas forças armadas, significa o que o professor deve inventar como procedimento, tão logo retire as mãos da cabeça diante da turba enfurecida que parte direto dos porões da sociedade para uma sala de aula, mas que merece todo amor e uma oportunidade de aprender para a vida melhorar. Continue lendo “DIA DE PROFESSOR”
MELHOR IDADE
Instalou-se recentemente numa sala de sexto ano, lá da minha escola, um frenesi, objeto de meu apreço, já que muito me diverte a criatividade quando o assunto é brincadeira. Além, claro, do pitoresco que o quadro sempre oferece e que costumeiramente dá margem a algumas linhas. Continue lendo “MELHOR IDADE”
COM A BOCA NO TROMBONE
O cavalo relincha, enquanto o jumento orneia. Termo um tanto desconhecido este que, pela falta de uso, deve até deixar o dicionário, qualquer dia destes. Afinal, quem se lembra de que um burro, jegue ou qualquer um da espécie, tenha lá sua voz? Mas tem. E quando bota a boca no trombone, é para se fazer ouvir. Claro que moradores de áreas urbanas, sobretudo, dos grandes centros, por serem incapazes de perceber a diferença entre este e os demais de quatro patas, sequer se lembram de que ele fala. Fala, obviamente, a sua língua, principalmente em ocasiões em que é preciso dar um basta na aporrinhação. Continue lendo “COM A BOCA NO TROMBONE”
COLHE-SE O QUE SE PLANTA
Mais algumas explosões sacudiram os nervos de Tio Sam no último fim de semana. Trata-se, todos sabem, de uma síndrome do mal que teve origem em passado não muito distante em que um país do Oriente Médio recebera a visita nada amistosa da cara amarrada de Tio Sam, em pessoa. Estava de olho, o gatuno, no precioso óleo daquele. E, para tanto, se armou, o tinhoso, de grosseiro argumento só para justificar ao mundo sua intenção sórdida de tomar de assaltoa terra do outro. Coisa feia! Dizia que o ditador daquele lugar escondia na manga do paletó armas químicas prontas para destruir o mundo. Coisa de novela mexicana que os povos não engoliram muito, não, embora ninguém tivesse peito para contestar sua majestade. Continue lendo “COLHE-SE O QUE SE PLANTA”
O MENINO DE ALEPPO
Enquanto o mundo ainda celebra as conquistas olímpicas do último evento, lá na Síria eles continuam a ganhar ouro no tiro. Tiro de morteiro, de fuzil, das bombas que os aviões deixam cair inadvertidamente, tiros que partem da mente insana daquele que insiste na ideia de que o poder lhe fora destinado por obra divina, razão mais do que suficiente para que ninguém tente tomá-lo. E, no momento em que a coisa não funciona assim, com o vento soprando a seu favor,o tirano promove a morte por atacado. Só para mostrar quem manda. Determina ainda a destruição da cultura, dos costumes, da vida de todo um país, arruinados num estalar de seus longos dedos sujos, logo mais, descarnados. Continue lendo “O MENINO DE ALEPPO”
OLHA LÁ O VOVÔ
— Mamãe, olha lá o vovô!
— Não, não é o vovô, filho.
— É sim, mamãe! É ele sim!
— Não é não, filhinho. Venha!
— Mas mamãe, é o vovô, ali naquele carro.
— Já disse que aquele não é o vovô, e não fique aí parado, menino! Venha logo. Olhe, seu pai já vai lá adiante. Vamos. Continue lendo “OLHA LÁ O VOVÔ”
O ESCRITOR (A MANUEL FILHO)
O escritor, embora dotado de imaginação ímpar, não é capaz de imaginar a barbaridade de empenho do qual se valeu toda uma escola que programou recepcioná-lo e prestar-lhe homenagem. Vestiu-se, aquela gente, de entusiasmo nunca visto para se dedicar à festa que preparara com capricho, todinha ela para o escritor. Uns trabalhavam nas alegorias, outros ensaiavam dança e canto para que tudo resultasse certinho, sem nenhuma possibilidade de ocorrer um mico. Continue lendo “O ESCRITOR (A MANUEL FILHO)”
O DIABO DO REGIME
O ditador quer explodir o mundo. Como se fosse o dono da bola, tenciona mesmo acabar com o jogo antes que o tempo regulamentar se esgote. Há, inclusive, uma forte suspeita de que deseja ver deserta a várzea só para exercer o seu poder sobre a bola que lhe vai debaixo do braço e sobre o nada bem à sua frente. Continue lendo “O DIABO DO REGIME”
OLIMPÍADA MUDA A CARA DO REINO
Fala-se por aí que no distante reino olímpico do Ó todos os acontecimentos deixaram de acontecer em função dos jogos. E ainda, que o povo feliz se farta com toda a festa, sobretudo, por saber que o país deixou a crise econômica, pela qual vinha passando, e que todos os demais problemas simplesmente deixaram de ser problemas, preocupados que ficaram em dar passagem aos atletas. E que até na longínqua província potiguar, a respeitada comunidade do crime, em reverência ao evento, procurou conter seus ímpetos incendiários e sossegou. Teria ainda, num gesto tocante, cedido os fogos para o magnífico show pirotécnico da abertura das competições. Continue lendo “OLIMPÍADA MUDA A CARA DO REINO”
OS AMIGOS
Lá estão eles na porta do bar. É ali, afinal, o lugar dedicado, antes de mais nada, aos amigos. O templo do bate-papo, da descontração… Continue lendo “OS AMIGOS”