EXERCÍCIO DE GUERRA

O que impressiona mesmo é ver aquela multidão de rostos bonitos e iguais de um povo feliz a bailar e rir pelas ruas da cidade, em comemoração ao sucesso obtido pelo seu governo no lançamento de um foguete. Teria ele a finalidade de conduzir ao espaço um equipamento meteorológico para espiar as nuvens. Nada de mais o coração transbordar de alegria e festejar. Curioso, entretanto, é tamanha concentração de gente esbanjando euforia por causa de acontecimento tão banal, se é ela habituada à pirotecnia balística de seus líderes. Fala-se até de rojão nuclear, destes que são feitos para consumir a vida por atacado. Genial! Continue lendo “EXERCÍCIO DE GUERRA”

TRISTEZA SEM FIM

Ouço agora uma bela música que vem do filme que passa na TV, bem pertinho. É algo que lembra amor e drama ao mesmo tempo, assuntos que sempre tocam o coração de quem tem a sensibilidade à flor da pele e sabe que o órgão mais cantado de todos os tempos, aliás, o único, é o responsável por sentimento tão intenso. Mas o miocárdio não produz coisas assim – dirá a lógica da ciência. Não tire do cérebro o comando do pensar e também do sentir – dirão os rinocerontes, mesmo sendo notória a prerrogativa cardiológica de sacudir a emoção humana com batidas, às vezes descompassadas, quando euforia ou chateação tomam de assalto. Isso é incontestável, até porque é ele o músculo mais lembrado, não os glúteos, quando a conversa gira em torno da dor nossa de cada dia. Isso a vida tem ensinado. É fato. Continue lendo “TRISTEZA SEM FIM”

QUANDO É PRECISO SE FAZER OUVIR

Medo é sentimento comum entre os bichos da Terra. Mas só quem tem uma mente poderosa, tem o privilégio de padecer dele. É o caso único do homem que nasce com medo de cair, de escuro, de barulho e, não demora, adquire outros tantos, a maior parte relacionada a superstições, violência, morte, água, altura, lugares fechados, falar em público… Este último, inclusive, ainda ostenta uma das primeiras colocações no pódio do pavor. Isso mesmo! Falar para muita gente ao mesmo tempo assusta, aterroriza quem se coloca diante do olhar atento da plateia que aguarda quieta. Continue lendo “QUANDO É PRECISO SE FAZER OUVIR”

A PRESSA É MESMO INIMIGA

Pressa é isso, o tipo de sintoma que só se manifesta para alfinetar os nervos, torná-los reféns de um poder egoísta que reserva para si toda a atenção que deveria ser dividida com outros assuntos. Não sobra para eles, no momento em que se está atrasado, nem uma única migalha, mesmo quando se tem a consciência de que há muito mais nesta vida do que aquele foco para o qual se dirige o pensamento aflito. Claro que não resolve refletir aqui com tamanha profundidade sobre tema tão delicado, até porque é impossível domar a tensão somente por pensar que não se deve se submeter a ela. Na verdade, torna o apressado cego e surdo para qualquer outro fato, mesmo que lhe envolva diretamente. Tudo que se concebe normalmente como real cai numa outra dimensão, alheia ao entendimento, um mundo paralelo que não nos diz respeito naquele instante de desespero, que pode ser breve ou longo. Corremos sempre com o coração na mesma velocidade, numa disputa ferrenha contra os ponteiros do relógio, rápidos como nunca. Só o ponto para o qual nos dirigimos é possível visualizar em momentos de pressa suprema.  Fenômeno que nos rouba, nos destitui de todo o direito de pensar em algo mais que não o tempo que voa enquanto andamos, lentamente. Continue lendo “A PRESSA É MESMO INIMIGA”

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