ORGULHO CORINTIANO

Não sou apreciador de futebol, em especial. Aliás, gosto dele como gosto de vôlei ou basquete, o que certamente não faz de mim um torcedor deste ou daquele time. Apesar de ser acometido, volta e meia, por alguma empolgação quando vejo o esquete que leva o nome da minha cidade ascender no palco do certame. Sabe, amigo, o Santo André costuma fazer bonito e encher de alegria este coração, que não se contém e bate acelerado quando vê seu brasão estufar a rede adversária.

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GABINETE DO ÓDIO

De uns tempos para cá, muito tenho ouvido sobre um tal gabinete do ódio. A princípio, considerei meio estranho e exagerado o título conferido a um seleto grupo que ocupa o primeiríssimo escalão do poder, nesta pátria de meu Deus. No entanto, depois de um longo período de convivência com a expressão, acabei por me habituar e não mais vê-la como extrema. Mesmo porque, tornou-se corriqueira na vida da gente deste circo, acostumada aos rigores de uma sociedade injusta e sem lei. É a normalidade da situação que nos impõe aceitá-la, afinal. Aliás, os dedos de compridas unhas sujas daqueles se habituaram rapidamente a tocar em tudo que possam fazer convergir em seu favor. E foi assim que a situação assumiu um aspecto banal, de tal sorte que o gabinete logo passou a ser visto somente como mais um ministério.

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CRÔNICA PARA MARIA RITA

Não se trata de uma pessoa o objeto desta inspiração. Sei que soa contraditório, tendo em vista ser o bicho homem o sujeito da crônica. E reitero, já que vem dele vasto material para encher de cores uma tela branca como esta, sobre a qual me ponho agora a redigir uma homenagem a um ente querido. Difícil, inclusive, não descrever também a dor que sua ausência tornou tão pungente.

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CIRCO ARMADO

Muito se tem comentado a respeito do espetáculo que foi a reunião ministerial, que os meios de comunicação exibiram exaustivamente nos últimos dias. Na verdade, um show protagonizado por sua excelência e alguns nobres, estes imbuídos do desejo quase compulsivo de encher de júbilo o coração do chefe. Tanto é que, feito pastores, inflamaram seus discursos de forma que fossem vistos como impávidos apoiadores de qualquer ideia de sua majestade, por mais tresloucada que seja.

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