BAITA CIUMEIRA

O ciúme é um sentimento perverso, capaz de confundir o próprio ciumento. Não são palavras de psicólogo, psiquiatra ou outro profissional habituado a lidar com gente doida. Perdão, doída. O diagnóstico parte, na verdade, de um observador de longa data, perplexo com a atitude do ser humano do sexo feminino, por exemplo, irritado, feroz, até violento, com a corriqueira viradinha de cabeça à passagem de um belo e insinuante corpo escultural. É comum, inclusive, o estalo de um tapa a encher de sonoridade o ar, intenção clara de retornar o rosto à posição inicial. Beliscões silenciosos e pisadas escandalosas, também, são recursos utilizados pelas meninas de qualquer idade.

Certa vez presenciei uma cena que me encheu de consternação e revolta, quando uma garota pisou, com toda a força de sua raiva, o pé do namorado que desviara discretamente a atenção da conversa para um bumbum faceiro que transitava pelo local. Pude sentir na expressão de dor do rapaz, o peso do salto alto. Agressão justificada porque, com toda a certeza, na intimidade, a fêmea em questão, tinha seu pensamento todo ele voltado para o jovem e cocho mancebo, sem espaço para qualquer outro belo exemplar da espécie.

Coisas de mulher? Qual o quê. Macho que é macho, também, não tolera quando seu bem suspira fundo depois daquela vista d’olhos que o sexo oposto dá quando está diante de um sujeito sarado. É imperceptível aquele movimento ligeiro de olhar, sem mover a face. Mas o que denuncia mesmo é o bendito suspiro. Às vezes uma blusinha justa também auxilia no delato que enfurece o companheiro, como se em sua mente, da mesma forma, pairasse somente a imaculada figura de sua amada.

Hipocrisia desmesurada, pois, conveniências à parte, manifestações exageradas de ciúmes tendem a ruir o que poderia ser um bom relacionamento, tolerante e empático.

É natural que haja comprometimento de ambas as partes quando na relação prevalece o amor, por meio do qual naturalmente vem o respeito. A fidelidade, então, é só consequência, que não pode ser exigida. Se imposta, a união não tem razão de ser, inexiste.

A situação de constante vigilância com excesso no cuidado é fruto da insegurança da pessoa que não confia em si e entra sempre em pânico ao imaginar a outra em cama alheia. Rejeição difícil de suportar que por certo a torna ainda mais frágil. Afinal, são seres frágeis que não aprenderam que quem ama liberta, pois que a liberdade é essencial na vida e no amor.

 

PROF.RODOLFO DE SOUZA 

Deixe um comentário

Blog no WordPress.com.

Acima ↑