No desenrolar desta vida maluca, há de se imaginar sempre um bando de gente afoita por chegar a lugar nenhum. É uma competição inglória para ver quem é o mais forte, quem tem mais poder aquisitivo e, por conseguinte, dispõe de mais recursos para tocar o barco com mais conforto e dignidade, obsecado mesmo por acumular e acumular. Tem sujeito por aí que se vivesse mil anos não conseguiria gastar o dinheiro que arrebanhou durante décadas, ou herdou. E segue em busca de mais e mais, atropelando pai e mãe se necessário for. Esta é a vida, afinal. Continue lendo “CORRER PARA VER QUEM CHEGA PRIMEIRO”
AGRESSÃO BARATA
O grande urso branco meteu os pés pelas mãos quando determinou a execução do respeitado e idolatrado chefe de tribo nada amistosa, segundo seu parecer. Tencionava, ao que tudo indica, colocar em prática estratégia, um tanto comum lá na sua nação, que consiste em se promover um conflitozinho como forma de ganhar prestígio junto ao eleitorado, este que normalmente adora ver sua poderosa pátria fazendo justiça junto aos algozes comedores de criancinhas. Continue lendo “AGRESSÃO BARATA”
VIDAS DESPEDAÇADAS
O avião despencou com quase duas centenas de pessoas a bordo. Partira da mão do homem a decisão sobre o destino que deveria tomar o aparelho naquele dia, logo após a decolagem. Certamente que o comandante não fora comunicado da mudança de rumo nem que fomentaria, por meio dos noticiários, o choque para aqueles que ainda devem permanecer um pouco mais por estas bandas. Continue lendo “VIDAS DESPEDAÇADAS”
NOITE INDIGESTA
Era noite na comunidade, e o pancadão rolava solto. Estava boa a festa que avançava madrugada adentro, inaugurando mais um domingo que certamente viria com muita ressaca, logo curada pelo futebol e pelo churrasco na laje, remédios infalíveis nessas horas. Pois é assim que devem ser os finais de semana: com muita alegria no coração e energia para recarregar as baterias. Continue lendo “NOITE INDIGESTA”
DOS PORÕES DO INFERNO
Assisti noutro dia a um filme que conta a história de seres que habitavam, tempos atrás, a escuridão. Eram débeis criaturas que, apesar de débeis, alimentaram durante muito tempo um projeto ambicioso: tomar posse de uma das maiores nações do planeta e escravizar o seu povo. Continue lendo “DOS PORÕES DO INFERNO”
DO BOI PARA O PORCO EM SEGUNDOS
Pedi no mercado um quilo de contra-filé. Espantado, ouvi do atendente a revelação que o simpático freguês sempre teme ouvir. O rapaz, sorriso na cara, gentilmente avisou-me do preço, gesto um tanto incomum, tendo em vista o costume de se pesar a carne, retirar da balança a etiqueta, colocá-la na embalagem e concluir com o clássico “mais alguma coisa?”. Continue lendo “DO BOI PARA O PORCO EM SEGUNDOS”
CACIQUE DEPOSTO, POVO INFELIZ
Depuseram o cacique e a nação indígena ficou órfã. Ele se foi, ao que tudo indica, para não morrer. Mas de longe assiste ao caos instaurado no seu país e não se conforma com a truculência das pessoas que tomaram o poder. Gaba-se, a deusa que se apoderou da cadeira de chefe, de ter sangue nórdico, ariano e de não ser índia como a maioria do povo daquele país. Falou como se fosse um desprestígio ser gente da terra, ter cheiro de campo e de trabalho. Ouvindo, inclusive, o seu discurso, tem-se logo a impressão de que está em lugar errado, que a Noruega talvez fosse destino melhor para tão seleta criatura. Continue lendo “CACIQUE DEPOSTO, POVO INFELIZ”
AMIZADE É ISSO
Num momento crucial da história deste planeta absurdamente arredondado, em que se destila ódio e rancor de polo a polo, de repente nos vemos frente a frente com um gesto ímpar de amizade. Atitude que, por vezes, surge só para lembrar que ainda há esperança, que nem tudo está perdido. E é justamente quando estamos imersos até o pescoço nesse mar de desespero, prestes mesmo a entregar os pontos, é que somos surpreendidos pela atitude de alguém que nos bota a nocaute com a beleza de uma iniciativa que surge, assim, de esgueira, como quem não quer nada, sorrateira, a nos pegar de jeito. Continue lendo “AMIZADE É ISSO”
VELHO NÃO SENHOR!
A tarde era de sol e a luz cumpria bem o seu papel de realçar os matizes da Serra de Petrópolis. O trânsito estava calmo naquele dia, situação nada corriqueira ali, devo confessar. Só quem percorre aquele trajeto com alguma frequência, sabe do que eu falo. Continue lendo “VELHO NÃO SENHOR!”
O PETRÓLEO É NOSSO
O óleo tingiu de preto o verde do mar, e de vermelho os olhos que testemunharam, incrédulos, o desastre. Continue lendo “O PETRÓLEO É NOSSO”