FICÇÃO, POR QUE NÃO?

Assistindo aos noticiários e a alguns canais alternativos, cheguei à conclusão de que talvez fosse mais prudente para com a minha saúde buscar a ficção, deixando de lado a realidade que nos cerca. Seja com o livro em punho ou na produção deste, viver uma deliciosa aventura pode ser um antídoto contra a violência que nos engole dia a dia. Mundos paralelos onde tudo pode acontecer e, dos quais, podemos fugir num estalar de dedos, diante da ameaça iminente, parece uma ótima alternativa para se acalmar os nervos que ultimamente andam à flor da pele. Continue lendo “FICÇÃO, POR QUE NÃO?”

BREVE REFLEXÃO SOBRE AS COISAS DO BEM E DO MAL

Tenho andado meio desanimado ultimamente, amigo leitor. Talvez porque o mal dá indícios de estar vencendo o bem por longa vantagem no placar, é que, volta e meia, me pego cabisbaixo, com vontade de jogar a toalha. Contrariando o meu sentimento, no entanto, especialistas em assuntos bíblicos ou espiritualistas de um modo geral são unânimes neste quesito ao afirmarem que o bem sempre vence o mal. Serve como consolo, embora a dúvida continue a pairar quando olho ao redor. Não sei quanto a você, meu caro, mas a sensação é de desalento no instante em que tenho de engolir com casca e tudo a vitória daquele, para quem a violência é a fonte de todas as boas coisas. Violência sob todas as formas, contra tudo e contra todos é a bandeira pela qual lutam alguns. Não poucos. As trevas, afinal, nunca exerceram domínio tão grande sobre o mundo como em dias atuais. É o que penso e tomo como verdade. Não sei se está de acordo, já que é imenso número de pessoas que dormem anestesiadas enquanto a vida prossegue seu curso, aos trancos e barrancos… Continue lendo “BREVE REFLEXÃO SOBRE AS COISAS DO BEM E DO MAL”

AS PONTES DE SÃO PAULO

As pontes de São Paulo ameaçam ruir. A prefeitura parece preocupada com questões de maior relevância, uma vez que não envia equipes aos locais para ver de perto o estrago que o tempo sempre causa nas estruturas físicas, aqui deste plano. Incluindo a nossa, claro, igualmente sujeita aos caprichos dos anos que passam. Até porque, a despeito de seu peso um tanto mais leve, também desaba espetacularmente diante do olhar atônito no espelho, já não tão preocupado com o problema das pontes e suas rachaduras. Continue lendo “AS PONTES DE SÃO PAULO”

NAVEGAR É PRECISO

Não tem muito tempo, eu escrevi, aqui neste espaço, qualquer coisa que falava de jovens que deixam o país para se aventurar em terras estrangeiras, em busca da felicidade. Dizia, na ocasião, que, em número cada vez maior, eles partem com a cara e com a coragem para desbravar novos horizontes, perseguindo um crescimento, sobre o qual talvez nem tenham pensado com a devida seriedade. Continue lendo “NAVEGAR É PRECISO”

MANHÃ CHUVOSA

É cedo. Algo entre seis e quinze e seis e meia. Chove. Há pouco, debaixo das cobertas, no acolhedor ambiente familiar, tudo era silêncio e a impressão que se tinha era de que o mundo havia parado em função da chuva que encheu de penumbra a manhã da minha cidade. Mesmo assim, empurrei-me goela abaixo a força de vontade que, sem sombra de dúvida, me faltava naquele dia que só iniciava. Mas o frio e o barulho da chuva no telhado convidavam mesmo para o aconchego da cama. No entanto, ciente de que se tratava de um dia normal de batente e de que preguiça é pecado, pulei. Mesmo porque, desfrutaria do conforto de um carro na ida ao trabalho, peso na minha consciência de cidadão privilegiado que assiste ao sufoco da gente que enfrenta a rua com guarda-chuva que deve ser fechado e sacudido antes de se embarcar na condução abarrotada de pessoas molhadas e impacientes. Continue lendo “MANHÃ CHUVOSA”

FONTE DE INSPIRAÇÃO

Fonte de inspiração para um cronista que também dedica parte de sua vida à particularmente gratificante arte de ensinar, é observar o domínio que o lado obscuro da vida exerce sobre as pessoas. Logicamente que não desfilo incólume por esse mal, já que disputo com os demais habitantes deste planeta, um palmo de seu solo, um bocadinho de sua água e de seu ar, além de toda hipocrisia inerente ao seu mais sublime habitante. Mas eu me esforço e cobro de mim postura menos mesquinha com relação às coisas deste mundo. Talvez a consciência da condição humana ajude a pensar que é preciso muita força e presença de espírito para não escorregar e ser engolido pelas armadilhas que cada esquina nos reserva. Elas que fazem do homem torpe figura a perambular pela terra, sempre de olho em qualquer possibilidade de passar a perna no semelhante, e cheio de medo de levar, também, uma rasteira. Continue lendo “FONTE DE INSPIRAÇÃO”

E O CIRCO CHEGOU!

Distinto público, o espetáculo vai começar! Ou melhor, já começou sem que eu percebesse, eu que sou povo e, por isso, distraio-me facilmente com qualquer bobagem. Ou talvez porque não me interesse mais espetáculos do gênero, é que sempre procuro voltar a minha atenção para outros assuntos de pouca ou nenhuma importância, veiculados pela mídia que se empenha em desviar o olhar da massa para imagens que devem permanecer na sua mente simples e, com isso, conduzir seus passos para os caminhos traçados por uma minoria que detém o comando e a grana da nação. Continue lendo “E O CIRCO CHEGOU!”

DANÇA DA CHUVA

E novamente o grande chefe branco faz a dança da chuva. Com seu cocar proeminente e cara de mau, cismou mais uma vez que, chovendo, será possível semear o que há de melhor no cotidiano de um país. Como todos sabem, esta água benfazeja, que o céu manda, é essencial para fazer germinar, além de plantas, a democracia em países onde o cacique considera que isso é verdura escassa na mesa do povo. Continue lendo “DANÇA DA CHUVA”

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