DA GUERRA À GUERRA

 

“O que foi que fizemos?” – indaga o coração apertado da menina que não passara ainda dos dez anos de vida. A câmera dos tempos modernos a tudo registra. Não perde nada. Digere o terror para transformá-lo em pontos na audiência. Por meio de seu olhar de vidro, a criança  protagoniza a história que conta como ainda não convivera com a paz, por que jamais vira sua face. Sabe que existe, mas não tem ideia da sua aparência. Continue lendo “DA GUERRA À GUERRA”

O HOMEM DO HIPERMERCADO

O termo hiper por si só já confere ao mercado o imponente status de qualquer coisa exageradamente grande. E o lugar certamente é merecedor do título, uma vez que é onde se pode encontrar de tudo. Produtos comuns, embora, passíveis de conduzir ao entusiasmo os mais afoitos e também os mais contidos consumidores. É de fato o recanto do mundo onde o objeto de desejo faz sucumbir ao consumo o homem que se gaba por ser imune aos apelos da mídia e à sedução do que é belo e gostoso. Da comida farta ao aparelho carregado de sentimento digital, tudo ali é tentação. Come-se com os olhos! É o que a moderna indústria produz, associado ao bem elaborado trabalho publicitário, que lá está à disposição, na prateleira. Basta que se tenha algum poder aquisitivo que lhe possibilite estender o braço para apanhá-lo e, pronto. Continue lendo “O HOMEM DO HIPERMERCADO”

HISTÓRIA DE PROFESSOR

Dia desses, conversei com um amigo, inveterado professor no ensino deste meu país, que manifestou desejo de narrar-me episódio do seu dia a dia, que lhe teria causado grande constrangimento e um tanto de humilhação. Ouvi, pois, atentamente e, ao final, conclui que fatos assim contribuem e muito para o sentimento de frustração do qual é acometido todo o profissional do ensino que busca realizar um bom trabalho. Aquele que está sempre no encalço de novos meios para levar o seu aluno ao crescimento. Até porque, lida com o ser humano no limiar da sua vida, carente, portanto, da mão amiga do mestre que tem formação, experiência e conhecimento suficientes para conduzi-lo. Continue lendo “HISTÓRIA DE PROFESSOR”

AS CRÔNICAS DE ANTIGAMENTE

Já não se escreve crônicas como antigamente. Os especialistas em literatura, a quem compete tecer comentários a respeito de assuntos literários, dizem que o jeito de escrevê-las é que mudou. Está um tanto atualizado, com a cara deste mundo em que vivemos. Nesse aspecto, penso até que têm razão. Entretanto, olhando a coisa do ponto de vista de quem é apreciador de um texto bem elaborado, em que o autor se serve da farta mesa de recursos linguísticos da qual é dono este nosso rico idioma, chego a duvidar do bom gosto deste novo modernismo. Continue lendo “AS CRÔNICAS DE ANTIGAMENTE”

DE OLHO NO MUNDO

Era uma vez uma câmera, feliz por ter sido instalada pelas mãos hábeis do profissional humano que também lhe dera vida ao ligá-la na tomada. Momento memorável em que deixou o conforto de sua embalagem para ganhar o mundo e descobrir atônita o seu fascínio. É certo que na sua visão de câmera todo esse mundo se resumia àquele ponto alto de uma parede onde fora colocada, mais a distância que seu olho de vidro conseguia alcançar. Mas era excitante! De seu posto podia ver a luz do sol e até sentir o vento. Pois sim, alguém se lembrara de colocar sensação tátil em sua pele metálica! Gente boa! Só não compreendia o porquê das pessoas se protegerem da chuva, tão curiosa e agradável precipitação pluviométrica. Gostava, aliás, desse nome. Talvez até gostasse mais do que de chuva. Continue lendo “DE OLHO NO MUNDO”

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