É hábito meu pensar. Logicamente que todo ser humano dotado de uma quantidade mínima de neurônios, também deve perder-se em volúpias cerebrais, de vez em quando. Continue lendo “DE OLHO NA PALAVRA”
CRÔNICA ECOLÓGICA
Meu quintal já foi dono de quatro goiabeiras. Uma deitou ao chão para dar lugar à lavanderia, a outra para que pudéssemos construir aquele quartinho indispensável, reservado para guardar todo tipo de material e quinquilharias. Continue lendo “CRÔNICA ECOLÓGICA”
CONVERSA NO METRÔ
Estava no metrô um dia destes quando presenciei uma cena que me despertou a atenção pela sensibilidade como foi conduzida. Afinal, são poucos nesta vida que se dão conta da importância deste mecanismo do qual somos dotados, eu e você. Motivo que também me faz olhar para o ser humano em suas várias facetas, sempre que busco suprir-me de inspiração para produzir um texto como este sobre o qual me debruço agora. Continue lendo “CONVERSA NO METRÔ”
COMO NOSSOS PAIS
No meu tempo, quando papai dirigia a um filho o olhar arregalado e inquisidor, este se punha logo a refletir, cheio de medo, acerca do seu comportamento de segundos antes. Começava ali o martírio do santo, que consistia em descobrir qual fora a gafe cometida, até porque nem sempre compreendia com exatidão o equívoco, o crime inafiançável que servira para enfurecer o velho. Mesmo assim, era preciso tentar se livrar da saia justa em que se metera, ainda que não soubesse como. E tudo isso com muito cuidado para que a visita não percebesse, claro. Visita, aliás, era o que não faltava, razão pela qual o pai só olhava, porque, do contrário, tirava rápido o chinelo e o estalava no lombo do incauto, o distraído que normalmente desconhecia em que momento da história praticara o delito, a falta que o conduzira aos rigores da chibata. Continue lendo “COMO NOSSOS PAIS”
ARBORIZAR ENQUANTO HÁ MUDAS
A conversa que não deixa a pauta das discussões e está na boca do povo e dos meios jornalísticos nesta segunda década do século vigente é, por certo, a escassez de água que começa a apertar o calo dessa população. Sobretudo, da soberba família paulista que, todos imaginavam, fosse influente o bastante para convencer São Pedro de que o país, tendo seca suficiente numa determinada região sua, não necessitava de mais esta presepada. Mas o santo, conhecedor que é dos costumes nacionais e da política brasileira, parece não ter se sensibilizado muito com a causa. Teria dito, afinal, que já passa da hora de se parar com a gastança e dos governantes tomarem vergonha na cara. A população até que vem fazendo a sua parte, mas está convencida também de que vergonha na cara é produto mais do que escasso neste momento de escassez. Continue lendo “ARBORIZAR ENQUANTO HÁ MUDAS”
A REVOLUÇÃO DAS CADEIRAS
E aconteceu que os ataques terroristas a Paris perderam aqui, em pátria tupinambá, o caro espaço televisivo para o desastre ambiental que teve origem lá em Minas e alcançou o mar que Minas não tem. Até o famigerado presidente da casa, por algum tempo, andou meio esquecido diante de tanta tragédia. Não que a política brasileira não se configure, assim, desastre de igual monta e não mereça seu lugar de honra nos telejornais. Entretanto, cansou e o rico patrocinador já pensa até em fechar a mão e parar com o patrocínio por considerar o assunto por demais exaustivo e já um tanto distante do interesse popular. Continue lendo “A REVOLUÇÃO DAS CADEIRAS”
A QUESTÃO HUMANA
Não tenho a pretensão de entender o insólito, o inexplicável, o improvável. Inquieta-me, contudo, a questão humana que dispõe somente de um fio tênue como sustentáculo na perigosa gravidade deste plano. Continue lendo “A QUESTÃO HUMANA”
E SOBRARAM SÓ AS POMBAS
Era uma vez, num longínquo reino encantado, uma rainha má que desejava muito permanecer no trono, embora seus súditos considerassem meio desastroso seu reinado e quisessem a sua cabeça. Cortar a cabeça, que fique bem claro, era maneira antiga de falar que tinha aquela gente quando se referia a destituir do cargo pessoa que vinha demonstrando certa ineficiência no trabalho, prejuízo para a empresa ou para a coroa. E, metido que era, aquele povo tratou logo de inventar o exclusivo e pomposo nome de impeachment para se mandar para o olho da rua pessoa que ocupasse o cargo mais alto da nação. Termo nada condizente com o idioma local, é certo, mas que servia bem. Até soava imponente, mesmo que usado para se referir ao ato nada elegante de se chutar o traseiro do outro. Continue lendo “E SOBRARAM SÓ AS POMBAS”
D.ALBERTINA VAI AO MÉDICO
D.Albertina já estava acordada quando alguém entrou no quarto. Desejava mesmo não ter despertado, hoje e nunca mais. Sua rotina não lhe permite sentir, uma pontinha que seja, de amor por esta vida. Ama sim, a outra, a dos sonhos. Aquela que visita todas as vezes que o sono é chegado e muito bem vindo. Pode ser estranho, encantado, bizarro, o diabo, mas compensa estar ali onde uma infinidade de lugares e situações a fazem participar intensamente da vida, como fizera nos bons tempos. E, naquele espaço exclusivo, também não é submetida ao constrangimento e à dor de ver um ente querido dedicar seu precioso tempo e paciência para auxiliá-la nas tarefas mais elementares. Continue lendo “D.ALBERTINA VAI AO MÉDICO”
A JANELA
Lá fora o sol de setembro brilha, enchendo de luz a casa e a vida que segue implacável. O ano, sempre muito veloz, trilha o seu caminho como se fosse um trem. Não é de hoje que carrego essa mania de imaginar um trem quando penso no ano passando, determinado, preciso. Não há mesmo como detê-lo nem como impedir a mente de pensar em sua força e na voz férrea de seus trilhos, que me impelem a isso. Continue lendo “A JANELA”