O PARQUE DA MINHA CIDADE

O parque verde convida para o passeio. Em meio a árvores antigas e vegetação farta estão as alamedas que cortam pequenos lagos de carpas e tartarugas. Os pássaros voam por toda parte, mas sempre com o cuidado de não deixar as dependências de água e vasto arvoredo. A vontade de caminhar por este lugar é sentimento que bate, logo que se chega. É magia a encher a alma urbana. Continue lendo “O PARQUE DA MINHA CIDADE”

VIDAS ALAGADAS

Eu tentava não deixar minha casa, afinal tudo que possuímos é nela que guardamos, inclusive, um bocado de sentimento impregnado nas paredes, emoções que norteiam a existência de cada um. Todas as nossas riquezas estão lá, com exceção de dinheiro, claro, sonho distante de pessoas sujeitas às intempéries do clima.  Continue lendo “VIDAS ALAGADAS”

TAMANDUATHEY

A avenida estava lenta, lenta pelo trânsito bastante congestionado em horário de pico. Nó que faz perder o tempo e a paciência. De repente, ocorreu-me indagar sobre o que teria causado o engarrafamento. Tola indagação presente nessa hora. Eu estava só. Era, pois, a única pessoa que poderia responder à minha pergunta. Cheguei, afinal, à óbvia conclusão de que não é necessário que haja um motivo para ter seu tráfego parado, uma grande cidade. Somente um determinado número de veículos tentando passar pelo mesmo local à mesma hora, e pronto. Quando acontece algum acidente, então, é bom nem pensar. A alternativa mais tranquila e econômica num momento como esse é desligar o motor e relaxar. Se tiver um livro à mão, tanto melhor. Continue lendo “TAMANDUATHEY”

ORAÇÃO

Perdoe, meu Deus, a falta de palavras. Aquelas que os especialistas em religião possuem em seu repertório para se dirigir ao Senhor. Parece até que soam mais autênticas e com maior possibilidade de chegar até aí, orações pronunciadas por alguém que leva jeito para a coisa. O que certamente não é o meu caso.  Continue lendo “ORAÇÃO”

ESPELHO, ESPELHO MEU

Pouca gente se dá conta de que atravessa a vida colecionando um amontoado de costumes e manias de forma compulsiva, às vezes, como entrar em casa por uma porta, e deixá-la pela mesma porta; ao trancá-la, é preciso verificar excessivamente se está fechada; os objetos, para alguns, devem ser dispostos sempre na mesma posição, por sobre um móvel; utilizar por décadas a mesma marca de um produto, também não deixa de ser transtorno para outros… E o que dizer, então, daquele que nunca usa roupa ou calçado de determinada cor, que jamais começa a subir uma escada, ou ainda adentrar um recinto com o pé esquerdo? Sem dúvida, uma vastíssima gama de aporrinhações a acompanhar essa gente por toda uma existência. Professor, por exemplo, tem o estranho hábito de dialogar consigo mesmo. Talvez pela certeza de que assim alguém dará crédito às suas palavras. Esquisitice que a educação nacional criou para ninguém botar defeito. Continue lendo “ESPELHO, ESPELHO MEU”

É TEMPO DE CHOVER

Está aberta a temporada de chuva, benfazeja chuva de verão que hidrata a pele e a mantém viva. Lava a alma também, e da de comer, e produz a lágrima que é derramada para engrossar o caldo da enchente. Porque afinal, grande é a quantidade de precipitação pluviométrica que encharca o cotidiano de quem mora nas encostas, baixadas, sopés… É gente que, como eu e você, depende dela para sobreviver, mas que deseja, cheia de rancor, que se vá para sempre quando o excesso leva de roldão a vida. E então este povo, cuja sina é mesmo manter os olhos voltados para o céu, em prece pede qualquer fresta de azul, de luz do sol que há de tudo secar. Da mesma forma que lá, noutro lugar, seca o pasto e o olhar das pessoas, igualmente dirigido ao firmamento. É mesmo coisa de louco essa existência em que se convive com os contrários: bem e mal, belo e feio, claro e escuro, necessário e demasiado… São desejos que se contradizem e dos quais não há como se livrar. Fazer o quê? Continue lendo “É TEMPO DE CHOVER”

COISAS DE CACHORRO

É notório o sucesso que fazem as coisas de odor repugnante na vida dos cães. Impressiona a atração desses animais pela matéria em decomposição e demais porcarias. O focinho, com aparelho cheirador privilegiado, está sempre metido em lugares pouco atraentes a outros bichos. Questiono até se o olfato poderoso não seria responsável pela distorção dos cheiros, tornando-os agradáveis aos narizes caninos. Da mesma forma, se cheirássemos, nós humanos, com tantas vezes mais sensibilidade como os cachorros, talvez dividíssemos com eles o prazer de saborear o mau-cheiro que, aliás, é possível que nem fosse assim tão mau. Continue lendo “COISAS DE CACHORRO”

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