BOLSA PARA TUDO E PARA TODOS

Ouvi dizer que o próximo governo planeja incrementar com mais recursos o programa Bolsa Família. É muito importante, afinal, para o povo carente, algo que estimule produção e posterior manutenção dos pimpolhos na escola. Salário bem vindo este, tão bom como aquele do Bolsa Cadeia que ampara a prole do sujeito que cumpre pena por ter cerceado a existência terrena de outrem. Muito justo e até comovente, o cuidado governamental para com os herdeiros do crime. Todavia, perigoso, já que pode despertar na mulher a vontade de conduzir ao cárcere o companheiro que pende ao delito pouco rentável, somente para meter a mão no rico dinheirinho público. Se a moda pega! Continue lendo “BOLSA PARA TUDO E PARA TODOS”

AI DE TI EDUCAÇÃO

Sempre que vejo na TV uma entrevista, ou leio alguma matéria que fala sobre a educação no Brasil, assisto, incrédulo, a uma hipócrita demonstração de que tudo vai muito bem, obrigado. Exceto por alguma deficienciazinha aqui, outra ali, problemas, evidentemente, de fácil solução, vamos indo bem, graças a Deus. Dizem os técnicos no assunto, que os governos trabalham arduamente para salvaguardar o direito que todo cidadão tem de frequentar uma escola. E frequenta, como frequenta! Continue lendo “AI DE TI EDUCAÇÃO”

BAITA CIUMEIRA

O ciúme é um sentimento perverso, capaz de confundir o próprio ciumento. Não são palavras de psicólogo, psiquiatra ou outro profissional habituado a lidar com gente doida. Perdão, doída. O diagnóstico parte, na verdade, de um observador de longa data, perplexo com a atitude do ser humano do sexo feminino, por exemplo, irritado, feroz, até violento, com a corriqueira viradinha de cabeça à passagem de um belo e insinuante corpo escultural. É comum, inclusive, o estalo de um tapa a encher de sonoridade o ar, intenção clara de retornar o rosto à posição inicial. Beliscões silenciosos e pisadas escandalosas, também, são recursos utilizados pelas meninas de qualquer idade. Continue lendo “BAITA CIUMEIRA”

AS CASAS DE ANTIGAMENTE

As casas de antigamente eram cercadas de muros baixos com portões munidos de singelo ferrolho que determinava o quanto era preocupado com a segurança o morador para quem paranóia era palavra estranha, que não havia emergido para as rodas de conversa. Sequer imaginava ele que um dia estaria na moda. Muito verde sim, é o que havia nesses lares de floreiras e jardins ricamente cultivados que atraía a passarada a cada final de tarde, promovendo aquela algazarra tão boa para a alma. Além do quintal, claro. Varanda, todas elas possuíam e quase ninguém se importava com entrada para carro, coisa de gente rica. Vizinhos de longa data eram amigos sempre bem recebidos que adentravam o recinto familiar sem maiores cerimônias: “Ô de casa!” Continue lendo “AS CASAS DE ANTIGAMENTE”

QUE NAMORINHO QUE NADA

Quem disse que namoro, em qualquer tempo, deve ser escrito com sufixo a lhe atribuir caráter diminutivo? No momento em que é vivido tem sempre o sabor e a importância “ão” para as pessoas que ardem de corpo e alma na fogueira do desejo. É, parece piegas, aparenta mesmo exagerado e tem o jeito de uma almofada vermelha em forma de coração com bracinhos abertos onde se lê “meu amor por você é desse tamanho”. Mas é justamente esse apego, tão fundamental, que livra o peito daquele sufocante vazio de difícil entendimento para algumas mentes destituídas de sensibilidade. Continue lendo “QUE NAMORINHO QUE NADA”

QUANDO EU ERA MENINO

Eu era menino quando minha mãe recebia, contrariada, a frequente visita de vendedores de enciclopédias que passavam de portão em portão para exaltar as maravilhas culturais das coleções que muitas vezes sequer haviam folheado. E, ao contrário do que acontecia ao receber profissionais do ramo que ofereciam outros produtos, eu ficava eufórico, porque aqueles insistiam sempre em deixar o objeto de seu trabalho como amostra, só por alguns dias, com o descarado intuito de seduzir a família e, desta forma, efetuar a venda. Eu sei que enciclopédia para aquele que acordou adolescente no século vinte e um, tem a aparência de uma máquina de escrever, ou um disco de vinil. Mas como eu amava aquelas caixas que continham livros, belos livros, repletos de conhecimento que faziam brilhar meus olhos e reiterar a minha esquisitice, proclamada pela molecada do pedaço que tinha algo de peculiar aos jovens costumes dos dias de hoje: o ardente desejo de conservar à distância a palavra escrita. Continue lendo “QUANDO EU ERA MENINO”

POVO ARMADO, CRIME DOBRADO

Li em algum lugar que retorna em grande estilo a campanha para desarmamento da população. Imagine como ficará a criminalidade neste país finda esta campanha. Cairá a zero, com toda certeza. Afinal, povo desarmado, tranquilidade em alta. Veio, aliás, em boa hora esta medida, sobretudo porque não suporto mais ver tanta agressão no trânsito, no trabalho, na família, na escola, na igreja, no lazer, enfim, em toda parte onde um tiroteio pode ter início a qualquer momento. Dá o que pensar, inclusive, o destino de tanto sangue em embates tão duros. A ideia é fazer generosa doação ao banco, sempre carente – atitude humana que acabaria por beneficiar os próprios feridos. Continue lendo “POVO ARMADO, CRIME DOBRADO”

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